Se Liga na Rua! – SEMANA #9

Autoras: Urânia Flores e Daniela Linkevicius

E aí galera!

Mais uma semana do Se Liga na Rua! Dessa vez, vamos falar sobre as várias histórias e maneiras de expressar da população em situação de rua. Sempre destacamos a importância de não simplificar a população em situação de rua dentro de um “perfil” único, apesar de ser essencial realizarmos pesquisas e, principalmente, censos, para que seja possível entender qual a variedade de origens dessas pessoas, suas necessidades e demandas para, a partir disso, compor um panorama mais completo e que dê conta de abarcar a multiplicidade da rua. Por isso, as reportagens que trazemos hoje tentam pensar sobre pelo menos uma parcela dessa variedade que reflete na experiencia que cada um(a) tem da vivencia nesse espaço.

Nesse sentido, um dos pontos principais que insistimos é na discussão sobre a condição da mulher em situação de rua – que além de passar pelas mesmas situações de marginalização dos homens, ainda enfrentam os efeitos do machismo. O site do Projeto Colabora fez um compilado marcante de depoimentos de algumas mulheres que moram na rua. Lá, encontramos vários depoimentos que demonstram a resiliência das mulheres. Em um dos depoimentos, Jennifer (nome fictício), afirma que “tem muito machismo na rua. Eu durmo com os cachorros bravos, é meu jeito de eu me proteger. É todo mundo que mexe: é povo da rua, povo de foram, polícia. Eu quero arrumar um emprego. Só que pra homem tem tudo: serviço, doação, emprego. Pra mulher, não. Tem nem banheiro, às vezes.”
Confira a reportagem e mais depoimentos em: https://projetocolabora.com.br/ods10/estupros-humilhacoes-e-agressoes-a-vida-das-mulheres-em-situacao-de-rua/?fbclid=IwAR2RB8dJV3zK0jcX4M_pOWe25czt-DZbVtauhsNq-Y4Am96m4_vcj7OVX3g

Já o projeto “Salvador Invisível” encontrou no Instagram uma maneira de divulgar e visibilizar a trajetória de vida de moradores e moradoras em situação de rua da cidade de Salvador. Apesar de ter sido idealizado em 2018, foi só em janeiro de 2019 que o perfil do Instagram começou a publicar sistematicamente, contando, atualmente, com mais de 60 histórias de pessoas que não necessariamente nasceram na cidade, mas que compartilham as vivências nas ruas de Salvador como ponto em comum. Segundo o presidente do projeto, Lucas Gonçalves, a escolha do Instagram não foi despropositada: “A gente escolheu o Instagram porque é uma rede de fotos. A pessoa está ali passando o dedo, e geralmente quando a gente está passando o dedo a gente vê fotos bonitas. Só fotos que mostram uma boa realidade. Então, é para mostrar que: ‘Oh, estou estou aqui passando o dedo e de repente vejo uma situação de miserabilidade’. Então, aquilo impacta o nosso olhar”.
Conheça mais sobre a iniciativa através da notícia no portal do G1: https://g1.globo.com/ba/bahia/noticia/2019/11/23/projeto-compartilha-na-web-e-da-visibilidade-a-historias-de-pessoas-em-situacao-de-rua-em-salvador-cidade-que-ninguem-ve.ghtml

Já em Belo Horizonte, nesta quarta-feira (27/11) aconteceu uma mostra de pinturas, desenhos, fotografias, artesanatos produzidos por artistas em situação de rua, no evento “Rua é Pop, uma Mostra Artística da Margem ao Centro”, promovido pela Secretaria Municipal de Assistência Social, Segurança Alimentar e Cidadania. Segundo a notícia publicada no site BHAZ, “trata-se de um instrumento lúdico de empoderamento e autonomia, que possibilita à pessoa em situação de rua a exibição e expressão de suas artes, mas também de comercialização dos produtos construídos ao longo das oficinas [realizadas pelo Creas – Centro Sul]”.
A mostra continua no dia 04 de dezembro com o primeiro desfile DASRU(A), que traz para discussão a violência sofrida por mulheres cis, trans e travestis em situação de rua na capital mineira.
Saiba mais em: https://bhaz.com.br/2019/11/27/rua-e-pop/

Com isso, ficamos por aqui! Esperamos que vocês tenham gostado da seleção de notícias desta semana. Desejamos a todas e todos um ótimo restinho de semana e até breve!

Se Liga na Rua! – SEMANA #8

Autoras: Urânia Flores e Daniela Linkevicius

E aí pessoal, prontas (os) para mais um Se Liga na Rua?

O Se Liga na Rua tem o objetivo de iluminar algumas discussões sobre População em Situação de Rua, com foco na População Negra. Fazemos isso através da divulgação de notícias e eventos, reportagens, textos acadêmicos, documentários, entre outros. Entendemos que é importante ficar sempre a par dessa temática, pois assim podemos compreender mais profundamente o complexo quadro da População em Situação de Rua em nosso país. Por isso, nesta semana damos continuidade ao Se Liga na Rua, até porque tivemos uma ocasião essencial para nossa caminhada: o Dia da Consciência Negra, realizado no da 20 de novembro.

Já falamos disso várias vezes, mas nunca é demais relembrar: a população negra representa mais da metade da População em Situação de Rua. Logo, falar de “consciência negra” também inclui falar da rua, da necessidade de compreender suas várias histórias e lutas em comum. Nesse sentido, é bacana conferir o documentário “Consciência Negra”, produzido pela TV Justiça para a ocasião do 20 de novembro. Nele, é apresentado um panorama da trajetória dos negros no Brasil, através de grandes nomes do movimento negro, da herança da escravidão e suas consequências no presente e no futuro do povo brasileiro.
Confira o documentário através do link:

Falando da luta da população negra, o BuzzFeed fez uma lista muito interessante com 23 cientistas negras que mudaram o mundo com suas pesquisas, seja através de descobertas para tratamento de doenças, quanto para a reflexão do impacto do racismo na educação. Um exemplo é a química Alice Ball: com apenas 23 anos, ela criou um dos primeiros tratamentos para hanseníase através de uma maneira eficaz de circular o óleo de Chaulmoogra pelo corpo. Além dela, a lista também traz Mae Jemison, física, engenheira, astronauta, e a primeira mulher negra a viajar ao espaço, em 1992.
Veja a lista completa: https://www.buzzfeed.com/br/anjalipatel/cientistas-negras-que-mudaram-o-mundo

E para fecharmos com chave de ouro, trazemos o programa “Diálogos”, realizado com a coordenadora e idealizadora do próprio Se Liga na Rua, a professora Urânia Flores. No programa, ela bate um papo com a professora Doriana Daroit sobre o tema das Políticas Públicas Intersetoriais – uma necessidade da administração pública, principalmente quando pensamos nas políticas que devem ser idealizadas para a poprua. Um dos pontos destacados por Flores é justamente a luta dos movimentos sociais em garantir que a População em Situação de Rua conquiste não apenas a moradia, mas também o direito ao trabalho para que tais sujeitos consigam sustentar suas casas.
Para conferir o programa na íntegra, acesse:

Ficamos por aqui. Desejamos a todas e todos muito aprendizado! O mês de novembro já está acabando, e nesse finalzinho de ano todo mundo precisa de um gás extra, né? Até breve!

Se Liga na Rua! – SEMANA #7

Autoras: Urânia Flores e Daniela Linkevicius

E aí gente linda, estamos de volta com mais um Se Liga na Rua!

Continuando com nosso papo sobre População em Situação de Rua, hoje divulgamos algumas matérias e eventos interessantes para enriquecermos nosso debate. É sempre importante lembrar que a vida na rua não é algo específico do Brasil, mas que está presente em muitos países, com os mais diversos processos de desenvolvimento. Por isso, não podemos de deixar de traçar paralelos sobre diferentes realidades. É igualmente importante lembrar que a População Negra compõe a maioria da População em Situação de Rua no Brasil e, por isso, temos que ficar atentas (os) as discussões que se referem a ela.

No final de outubro, Salvador sediou o II Encontro do Grupo de Estudos e Pesquisa População em Situação de Rua, Cidadania e Direitos Humanos da Defensoria Pública do Estado da Bahia, que contou com a presença do jurista português Marcio Ribeiro Henriques, coordenador Centro de Apoio ao Sem Abrigo (Casa). Essa instituição não governamental atua de maneira a proporcionar apoio a pessoa em vulnerabilidade de forma multidisciplinar. Sobre o caso português, Henriques afirma: “No caso português, nós fixamos que é pessoa em situação de sem abrigo quem não tem condições condignas de habitabilidade. E nós, para se ter uma ideia, incluímos o povo cigano, que vive de forma nômade e em tendas eventualmente, colocamos pessoas que vivem numa casa abandonada, numa caverna”.
Confira a entrevista completa com o jurista no link: https://www.atarde.uol.com.br/muito/noticias/2107684-marco-ribeiro-henriques-alguem-que-vive-na-rua-esta-sofrendo-uma-violencia-por-parte-do-estado

Já no Rio de Janeiro, ocorreu na semana passada a 323a Reunião Ordinária do Conselho Nacional de Saúde (CNS), que trouxe a pauta do Genocídio da População Negra. Essa população tem sua história marcada por violência e continua a apresentar um dos maiores índices por morte violenta em nosso país. Por isso, na reunião, mães de jovens assassinados pela polícia do estado denunciaram a violência e o racismo como questão de saúde pública. De acordo com as mães, a atuação da polícia é marcada pela ‘filtragem racial’, na qual pessoas pretas e pobres, habitantes das favelas do Brasil, são as principais vítimas. Sobre isso, a conselheira Altamira Simões, representante da Rede Nacional Lai Lai Apejo, afirmou: “Não podemos falar de saúde sem falar do racismo, que afeta todas as esferas do cotidiano da população negra. O Sistema Único de Saúde (SUS) deve saber acolher essa população historicamente vítima de violência física e psicológica, não podemos ter um SUS seletivo diante das patologias que essa violação de direitos geral, afirmou a conselheira Altamira Simões, representante da Rede Nacional Lai Lai Apejo.”.
Leia a notícia na íntegra através do link: http://www.susconecta.org.br/violencia-e-saude-durante-reuniao-do-cns-maes-denunciam-genocidio-da-populacao-negra-no-rj/

De olho nisso, é importante destacar que logo logo é o Dia da Consciência Negra. Que tal aproveitar a data para pensar um pouquinho a mais sobre o assunto? Trazemos aqui dois eventos que ocorrerão no Distrito Federal – o “Novembro Negro”, que acontecerá na Universidade de Brasília (UnB), e o “Dialogando Sobre as Negritudes”, que será realizado no Conselho Regional de Psicologia do DF. E se você não mora no DF, não deixe de procurar o que vai rolar na sua cidade! É essencial que este feriado seja aproveitado para fazer o que há de melhor no mundo – dialogar e aprender.

Semana que vem estamos de volta pessoal! Até mais!

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Se Liga na Rua! – SEMANA #6

Autoras: Urânia Flores e Daniela Linkevicius

Queridos(as) alunos(as),

O Se Liga na Rua retorna para mais uma semana, após discussões muito produtivas em nosso curso. Desta vez, focamos, por meio de documentários que discutem a questão do racismo e pesquisas que se preocupam com a construção de políticas públicas eficazes, na população em situação de rua – principalmente, na população negra, que compõe a maioria da poprua no Brasil.

No ano passado, a Defensoria Pública da União publicou em seu canal no YouTube a série Interfaces do Racismo, composta por de 4 mini-documentários, divididos em quatro eixos – racismo estrutural, racismo institucional, racismo ambiental e racismo religioso. O objetivo é discutir o racismo como o cerne dos conflitos sociais em nosso país, e de que maneira ele age em nas principais esferas da vida pública e privada.
Confira os episódios nos links abaixo:

  1. Racismo estrutural:



  2. Racismo institucional:



  3. Racismo ambiental:



  4. Racismo religioso:

Já na Paraíba, com o intuito de subsidiar as políticas públicas de assistência social, a Universidade Federal da Paraíba (UFPB), em parceria com a Secretaria de Desenvolvimento Social de João Pessoa, irá mapear, a partir de 2020, a ocupação das pessoas em situação de rua na capital do estado.
Segundo a coordenadora do projeto, Berla Moraes, o projeto atuará no sentido de explorar, por meio de um censo, “os principais locais de de utilização da rua por indivíduos e grupos que habitam nela de forma permanente, temporária e/ou intermitente. Além disso, averiguar quais as ocupações a população em situação de rua está engajada ao longo do dia e o tempo despendido, considerando como eles organizam se cotidiano nas atividades da vida diária, trabalho, repouso e sono, lazer, educação e participação social.”
Para saber mais a respeito do projeto na notícia completa: https://www.portalt5.com.br/noticias/paraiba/2019/10/262258-levantamento-da-ufpb-vai-identificar-espacos-com-pessoas-em-situacao-de-rua-em-jp

Por hoje, ficamos por aqui! Esperamos que vocês tenham todos(as) um ótimo restinho de semana e não esqueçam de conferir a plataforma. O módulo 3 do curso de especialização já está se encaminhando para o fim! Lembrem-se que a coordenação pedagógica está acompanhando vocês de pertinho, sempre disposta a ajudar!

Bom trabalho e até semana que vem!